| (Foto: Reprodução/G1) |
Rio de Janeiro (RJ) - O Brasil pode enfrentar pelo menos seis ondas de calor entre setembro e dezembro de 2026, segundo uma análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A estimativa considera o comportamento das temperaturas em períodos influenciados pelo El Niño e ocorre em meio à previsão de que o fenômeno alcance intensidade muito forte nos próximos meses. O cenário também exige atenção para áreas do estado do Rio de Janeiro, incluindo a Região Serrana.
A projeção do Cemaden foi elaborada a partir da análise de 47 anos de registros de temperatura durante períodos de El Niño. Segundo o levantamento, a quantidade de episódios pode ser ainda maior caso o fenômeno se intensifique. Durante o último El Niño, o Brasil registrou nove ondas de calor.
A estimativa, porém, não significa que seis ondas de calor já estejam previstas com datas determinadas. Trata-se de uma projeção baseada no comportamento histórico das temperaturas durante eventos de El Niño. A intensidade, duração e distribuição dos próximos episódios dependerão da evolução das condições atmosféricas e oceânicas.
El Niño pode ser um dos mais fortes já registrados
As condições de El Niño foram confirmadas em junho de 2026. De acordo com o terceiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado por órgãos como Cemaden, Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), existe probabilidade superior a 90% de que o fenômeno seja classificado como muito forte no trimestre de setembro, outubro e novembro.
Os modelos climáticos também indicam 100% de probabilidade de permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027. As anomalias da temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial podem superar 2°C entre a primavera e o verão de 2026.
O boletim também informa que a agência norte-americana NOAA estima em 69% a probabilidade de que o El Niño de 2026/2027 seja o mais forte registrado desde 1950.
O que caracteriza uma onda de calor
Uma onda de calor não corresponde simplesmente a um dia de temperatura elevada. Para ser caracterizado como esse tipo de evento, o período precisa apresentar temperaturas máximas e mínimas excepcionalmente acima dos padrões habituais durante pelo menos três dias consecutivos.
Além da duração, a abrangência dos episódios também tem chamado atenção dos pesquisadores. Segundo análises do Cemaden, as ondas de calor se tornaram mais frequentes e passaram a atingir áreas maiores do território brasileiro nas últimas décadas.
Possíveis efeitos no Sudeste e na Região Serrana
Os impactos do El Niño não são iguais em todas as regiões brasileiras. Para o trimestre setembro-outubro-novembro, os órgãos que integram o Painel El Niño indicam temperaturas acima da média em grande parte do país.
No Sudeste, a previsão climática aponta possibilidade de chuvas abaixo da média em algumas áreas, enquanto as temperaturas tendem a permanecer acima dos padrões climatológicos. O cenário pode favorecer períodos de calor mais intenso e aumentar a atenção para condições de tempo seco.
Para Cantagalo e outros municípios da Região Serrana do Rio de Janeiro, isso significa que períodos prolongados de temperaturas elevadas podem ocorrer durante a primavera e o início do verão. Entretanto, a previsão de uma onda de calor especificamente para Cantagalo depende de atualizações meteorológicas de curto prazo e dos critérios utilizados pelos órgãos oficiais.
Calor extremo pode aumentar riscos
O aumento das temperaturas associado ao El Niño pode produzir impactos que vão além do desconforto térmico. A combinação entre calor, baixa umidade e períodos de pouca chuva pode favorecer condições para incêndios florestais em determinadas áreas.
O Cemaden também aponta que as ondas de calor vêm se tornando mais frequentes no Brasil e podem representar impactos para setores como agricultura, saúde, recursos hídricos e energia.
Ao mesmo tempo, o El Niño não significa apenas calor e estiagem. O fenômeno pode provocar diferentes padrões climáticos no território brasileiro. Para o trimestre setembro-outubro-novembro, por exemplo, há previsão de chuvas acima da média em áreas da Região Sul e de chuvas abaixo da média em partes do centro-norte do país.
Monitoramento deve continuar
Diante do cenário previsto para os próximos meses, Cemaden, INMET, INPE, ANA, Serviço Geológico do Brasil, Defesa Civil e outros órgãos envolvidos no Painel El Niño recomendam o acompanhamento contínuo das condições meteorológicas e dos alertas oficiais.
Para os moradores de Cantagalo e da Região Serrana, a recomendação é acompanhar as atualizações das previsões meteorológicas, especialmente durante períodos de temperaturas elevadas, baixa umidade ou possibilidade de eventos extremos.
O cenário climático ainda será atualizado conforme novos dados sejam incorporados aos modelos de previsão. Por isso, a quantidade e a intensidade das ondas de calor previstas para os próximos meses podem sofrer alterações.