| (Foto: Reprodução/Arquivo) |
Região Serrana, RJ - As mudanças climáticas estão associadas ao aumento e à expansão de doenças infecciosas no Brasil, com impactos relacionados à elevação das temperaturas, às alterações no regime de chuvas, às enchentes e às secas. Entre os problemas destacados estão a ampliação das áreas com níveis epidêmicos de dengue, a disseminação da febre do Oropouche e os riscos de leptospirose e hantavirose.
Dados de pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), citados em reportagem do Portal Giro, mostram que o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos de dengue passou de 110, em 2006, para 292, em 2024. As alterações de temperatura estão entre os principais fatores climáticos associados ao aumento da incidência da doença.
A febre do Oropouche, que circulava principalmente na Região Amazônica até 2023, registrou mais de 12 mil infecções em 2025, distribuídas por 23 estados e pelo Distrito Federal.
A expansão da doença é relacionada a possíveis fatores como mudanças nos padrões de temperatura e chuva e degradação ambiental. O cenário evidencia a importância de acompanhar a distribuição das doenças infecciosas e sua relação com as alterações ambientais.
As enchentes também representam um risco à saúde pública. O contato com água contaminada pela urina de ratos pode transmitir leptospirose, enquanto a mistura da água com esgoto pode contaminar alimentos e fontes de água para consumo, favorecendo outras infecções.
Esses riscos tornam a prevenção e a atenção às condições de saneamento especialmente relevantes em períodos de alagamentos. As alterações ambientais provocadas por secas e incêndios também podem afetar a circulação de animais silvestres. O deslocamento desses animais para áreas habitadas pode aumentar o contato entre pessoas e roedores infectados.
Esse cenário representa um risco de transmissão do hantavírus, que pode provocar uma síndrome cardiopulmonar grave. O aumento das temperaturas e outras alterações ambientais podem favorecer a adaptação e a disseminação de determinados fungos.
Entre os exemplos citados estão a Candida auris, associada a infecções hospitalares, e o Trichophyton indotineae, que pode apresentar resistência a medicamentos antifúngicos.
Para municípios da Região Serrana, como Cantagalo e outras cidades do interior do Rio de Janeiro, o tema reforça a importância do acompanhamento das condições ambientais e dos riscos relacionados às doenças infecciosas. Os dados apresentados, porém, são nacionais e não indicam, por si só, aumento específico dessas doenças nesses municípios.
A relação entre clima, ambiente e saúde evidencia a necessidade de atenção à prevenção, sobretudo diante de situações que envolvam água contaminada, alterações ambientais e expansão de doenças transmissíveis.