| (Foto: Reprodução/Jounimax Junior) |
Cantagalo (RJ) - Dos dias 19 a 22 de maio, o Museu Casa de Euclides da Cunha recebeu alunos e professores de escolas da região para atividades especiais dentro da 24ª Semana Nacional de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), com o tema “Museus Unindo um Mundo Dividido”. A Casa de Euclides da Cunha aderiu à programação nacional juntamente com os demais equipamentos museais da FUNARJ, integrando uma mobilização coletiva em defesa da memória, da cultura e da democratização do acesso aos espaços museais.
Participaram das atividades estudantes do Colégio Estadual Farmacêutico Rodolfo Albino, de Macuco; do Colégio Estadual Euclides da Cunha, de Cantagalo; e do Colégio Estadual José Carlos Boaretto, também de Macuco. Ao longo da programação, os visitantes participaram de experiências educativas, culturais e reflexivas que buscaram aproximar o público do museu e estimular debates sobre memória, inclusão, diversidade e consciência histórica.
A proposta da Semana Nacional de Museus deste ano destacou o papel dos museus como espaços de diálogo, convivência e participação social, especialmente em uma sociedade marcada por desigualdades, exclusões e disputas de narrativas. O tema também dialoga diretamente com a obra e o pensamento de Euclides da Cunha, autor que refletiu sobre as divisões sociais, regionais e territoriais do Brasil em obras como Os Sertões, À Margem da História e Contrastes e Confrontos. A discussão proposta pela Semana Nacional de Museus também se aproxima do Pacto Museus Antirracistas e da iniciativa da FUNARJ “Arte e Cultura para Todos”, reforçando o compromisso dos equipamentos culturais com a inclusão, a acessibilidade, a valorização da
diversidade e o enfrentamento dos apagamentos históricos.
Durante a semana, os estudantes participaram de visitas guiadas à exposição permanente da Casa de Euclides da Cunha, acompanhadas de reflexões sobre a ideia de unidade nacional presente na trajetória intelectual euclidiana. Também foram realizadas exibições do mini-documentário Cantagalenses às Margens da História, rodas de conversa sobre memória, território, inclusão e equidade, além de atividades voltadas à acessibilidade e à inclusão social.
Entre as ações desenvolvidas estiveram apresentações de teatro de fantoches e uma exposição com atividades sensoriais, promovendo uma experiência mais acessível, interativa e participativa para os visitantes. Em outra atividade especial, a Casa de Euclides da Cunha levou ações ao Asilo de Cantagalo, com rodas de conversa, contação de histórias e atividades de convivência.
A programação também contou com uma atividade online transmitida pelo YouTube: a roda de conversa “A Casa de Euclides da Cunha Unindo um Mundo Dividido”, que debateu temas como educação, inclusão, consciência histórica e equidade. A iniciativa ampliou o alcance das discussões promovidas durante a Semana Nacional de Museus, permitindo que o público acompanhasse virtualmente os debates e reflexões desenvolvidos pela instituição. A atividade também impactou estudantes de graduação, fortalecendo o diálogo entre o museu, a educação e a formação acadêmica.
Como estagiário do setor de acervo e educativo da Casa de Euclides da Cunha, foi muito importante contribuir para a formação de consciência histórica e empatia entre os participantes das atividades. Também foi gratificante dialogar sobre a História do Brasil e questões da conjuntura da nossa sociedade a partir da perspectiva da obra e do pensamento euclidianos, aproximando o público de reflexões sobre desigualdade, território, identidade e cidadania.
A programação buscou reafirmar a importância do museu como espaço vivo de construção coletiva do conhecimento, valorização da diversidade cultural e reflexão crítica sobre a sociedade brasileira. Mais do que preservar o passado, a Casa de Euclides da Cunha reafirma seu compromisso com a educação, a inclusão, a memória e o diálogo permanente com a comunidade.