Homenagem a historiador nascido em Cantagalo é destaque na imprensa espanhola

(Foto: Reprodução/Matheus Arruda) 

Cantagalo (RJ) - Uma placa em homenagem ao historiador Américo Castro Quesada foi instalada pela Prefeitura de Cantagalo, na Região Serrana do Rio de Janeiro. A homenagem fica na Rua Maestro Joaquim Antônio Naegele, dentro da Biblioteca Municipal Acácio Ferreira Dias, onde também dá nome a uma sala destinada à pesquisa e à preservação da memória histórica do município.

O local escolhido fica a poucos metros de onde estava situada a casa onde Américo Castro nasceu e em frente à igreja onde ele foi batizado. A instalação da placa havia sido aprovada em 2022, por meio de iniciativa do vereador Matheus Lucas de Arruda Câmara.

Segundo Matheus Arruda, o espaço passa a integrar o Pró-Memória Municipal com o nome de Américo Castro Quesada. De acordo com o vereador, a placa já foi instalada, enquanto o ambiente passa por uma organização para receber os arquivos do Pró-Memória Municipal.


A homenagem é resultado de um processo iniciado em 2020, a partir de uma proposta de Pablo González Velasco sobre os vínculos de Américo Castro com Cantagalo. A iniciativa ganhou caráter institucional em 2022, com o apoio do vereador Matheus Lucas de Arruda Câmara.

Américo Castro nasceu em Cantagalo em 1885. Quando tinha quase cinco anos de idade, mudou-se para Granada, na Espanha, terra de origem de seus pais.

Seu pai viveu durante 18 anos no Brasil, enquanto sua mãe permaneceu no país por 14 anos. A família Castro mantinha um bazar próprio, localizado junto à residência onde vivia.

Ao longo de sua trajetória, Américo Castro também manteve relações de amizade com brasileiros, entre eles Edmo Rodrigues Lutterbach, de Cantagalo, além de Baltazar Xavier e Gilberto Freyre.

Em 1946, o historiador retornou a Cantagalo em uma visita ao município, acompanhado de intelectuais e amigos.

Segundo o relato apresentado no material, Gilberto Freyre e Fidelino de Figueiredo chegaram a tentar trazer Américo Castro de volta ao Brasil durante o contexto da Guerra Civil Espanhola. A proposta buscava integrá-lo à vida intelectual brasileira, mas não avançou por questões políticas relacionadas ao período.

Posteriormente, a nacionalidade brasileira de Américo Castro teria contribuído para facilitar sua entrada nos Estados Unidos, depois de uma passagem por Buenos Aires.

Em 2020, Pablo González Velasco realizou uma pesquisa sobre as origens brasileiras de Américo Castro. O trabalho foi posteriormente publicado em revista, jornal e livro, contando com apoio local do historiador Wesley da Silva Gonçalves.

O Centro de Memória, Pesquisa e Documentação de Cantagalo também contribuiu com documentação para uma exposição organizada por José Antonio González Alcantud.


No ano seguinte, em 2021, a Câmara Municipal de Cantagalo realizou uma homenagem a Américo Castro. Na ocasião, González Velasco participou do evento e proferiu uma conferência sobre o historiador.

Mais recentemente, foram identificados novos vínculos de Américo Castro com a lusofonia, entre eles uma carta destinada ao escritor português Eduardo Lourenço após uma visita familiar a Coimbra, em Portugal.

Com a instalação da placa e a criação da sala destinada à memória e à pesquisa histórica, o nome de Américo Castro passa a integrar de forma permanente um espaço voltado à preservação da história de Cantagalo e à consulta de documentos sobre o município. 
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