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Rio de Janeiro, RJ - As probabilidades de um Super El Niño com intensidade inédita seguem em alta, segundo projeções da NOAA. Modelos climáticos apontam para anomalias de temperatura que podem atingir até 4°C no Pacífico Equatorial ainda em 2026, o que acende um alerta global e levanta preocupações sobre possíveis impactos no clima do Brasil, incluindo cidades do interior do estado do Rio de Janeiro.
De acordo com os dados mais recentes, a NOAA elevou o limite de monitoramento da anomalia térmica para 4°C, diante de simulações que indicam valores nunca antes registrados para o fenômeno El Niño. Tradicionalmente, o evento é classificado como muito forte — ou Super El Niño — quando as temperaturas ficam acima de 2,0°C na região conhecida como Niño 3.4. As novas projeções, no entanto, sugerem números que podem ser o dobro desse patamar.
No dia 30 de abril, foi registrada a maior anomalia de temperatura da história para a data na região do Pacífico Equatorial, com níveis comparáveis apenas aos observados em 1992, período que antecedeu o Super El Niño de 1992-1993. A tendência, segundo especialistas, é que novos recordes sejam registrados nos próximos meses, antes mesmo da consolidação oficial do fenômeno.
O El Niño mais intenso já documentado ocorreu entre 2015 e 2016, com anomalias variando entre 2,6°C e 2,8°C. Agora, a média das projeções para outubro e novembro já indica pelo menos 3°C, com alguns modelos chegando a 4°C. A expectativa é que o nível de confiabilidade dessas previsões aumente a partir de meados de maio.
O avanço de um Super El Niño dessa magnitude pode provocar mudanças significativas nos padrões climáticos globais. No Brasil, os efeitos costumam incluir alterações no regime de chuvas, com períodos de seca em algumas regiões e aumento de precipitações em outras.
No estado do Rio de Janeiro, cidades da Região Serrana e Centro-Norte Fluminense, como Cordeiro, podem sentir reflexos indiretos, como variações bruscas de temperatura e mudanças no volume de chuvas ao longo do segundo semestre de 2026 e início de 2027.
Além disso, há preocupação com o impacto combinado entre o El Niño e o aquecimento global. Projeções indicam que, entre o fim de 2026 e o início de 2027, o planeta pode registrar novos recordes de temperatura média global.
Mudanças climáticas em aceleração:
Cenários climáticos recentes apontam para uma aceleração no aquecimento global. Estudos indicam que, caso as emissões de gases de efeito estufa continuem no ritmo atual, a temperatura média do planeta pode subir cerca de 2°C até 2037, 3°C até 2050 e atingir até 4°C até o final do século.
Segundo análises baseadas em relatórios do IPCC, o desafio atual não é apenas reduzir impactos futuros, mas evitar um agravamento ainda maior das condições climáticas, que podem resultar em eventos extremos mais frequentes e intensos.
Outro fator de preocupação é a permanência do dióxido de carbono na atmosfera por longos períodos — podendo chegar a cerca de mil anos —, o que prolonga os efeitos do aquecimento mesmo após uma eventual redução das emissões.